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    Seguro Placa Solar

    Seguro Painel Solar e Granizo: o que Cobre em 2026

    19 de julho de 20268 min de leituraPor Equipe Solatium

    Em abril de 2024, uma tempestade de granizo atingiu Pelotas, no Rio Grande do Sul, e danificou ao menos 12 sistemas fotovoltaicos residenciais e comerciais em dois dias. Proprietários foram ao acionamento do seguro e descobriram que parte deles tinha cobertura básica — que não cobre granizo. Esse cenário se repete todo ano no Sul e Centro-Oeste do Brasil. A pergunta real não é se o seguro cobre granizo, mas sim qual apólice você contratou.

    O que aconteceu em Pelotas em 2024

    O granizo registrado em abril de 2024 na região de Pelotas tinha pedras entre 3 e 7 cm de diâmetro, suficientes para romper o vidro temperado de módulos fotovoltaicos. Dos 12 sistemas afetados documentados por associações locais de energia solar, 7 tinham seguro com cobertura ampliada e conseguiram ressarcimento. Os outros 5 tinham apenas cobertura básica ou nenhuma apólice específica para o sistema.

    O prejuízo médio por sistema atingido ficou entre R$ 18.000 e R$ 45.000, considerando troca de módulos, inversores danificados por variação de tensão e serviço de instalação. Quem tinha seguro adequado pagou só a franquia. Quem não tinha pagou tudo do bolso.

    Cobertura básica vs cobertura ampla: a diferença que importa

    Seguro de painel solar não é produto padronizado no Brasil. Cada seguradora estrutura as coberturas de forma diferente, mas o mercado converge para dois grandes grupos.

    Cobertura básica (ou cobertura named perils)

    Cobre apenas os riscos expressamente listados na apólice. Em geral: incêndio, queda de raio e explosão. Granizo, vento forte, impacto de veículos e danos elétricos ficam de fora. É o tipo de cobertura mais barato e, no Sul do Brasil especialmente, o menos adequado para sistemas fotovoltaicos.

    Cobertura ampla (ou all risks)

    Cobre todos os riscos, exceto os expressamente excluídos. Granizo está coberto por padrão. As exclusões típicas são: desgaste natural, oxidação gradual, danos causados por instalação incorreta (anterior à vigência da apólice) e guerra. Este é o modelo recomendado para sistemas fotovoltaicos em regiões com histórico de granizo.

    Em regiões como Sul, Mato Grosso do Sul e Goiás, granizo é um risco recorrente. Contratar cobertura básica para sistema fotovoltaico nessas regiões é uma economia que pode sair muito cara.

    Quais seguradoras cobrem granizo em painéis solares

    Em 2026, as principais seguradoras com produtos específicos para energia solar no Brasil são Porto, Tokio Marine, Mapfre e Allianz. Veja as diferenças práticas.

    • Porto Seguro Solar: oferece cobertura ampla para sistemas residenciais e comerciais. Granizo incluso na modalidade completa. Franquia típica entre R$ 800 e R$ 2.000 dependendo do valor segurado.
    • Tokio Marine: tem produto voltado para sistemas comerciais e rurais. Cobertura all risks com franquia a partir de R$ 1.500. Boa reputação em agilidade de vistoria técnica.
    • Mapfre Solar: produto com foco em geradoras de pequeno e médio porte. Granizo coberto na versão ampla. Permite inclusão de lucros cessantes para sistemas conectados à rede.
    • Allianz: apólice empresarial adaptável para fotovoltaico. Requer laudo técnico de instalação. Franquia negociável conforme o capital segurado.

    Seguradoras como SulAmérica e HDI atendem esse nicho por meio de apólices de conteúdo empresarial, mas sem produto específico para solar. Funcionam, mas exigem mais negociação na vistoria de sinistro.

    Franquia típica em sinistros de granizo

    A franquia em seguros de painel solar varia conforme a seguradora, o valor do sistema e a modalidade contratada. Em 2026, os valores mais comuns são os seguintes.

    • Sistemas residenciais (até 15 kWp): franquia entre R$ 800 e R$ 2.500
    • Sistemas comerciais (15 a 100 kWp): franquia entre R$ 2.000 e R$ 8.000
    • Sistemas rurais e usinas (acima de 100 kWp): franquia negociada individualmente, geralmente 10% do valor do sinistro com mínimo de R$ 5.000

    Alguns contratos oferecem franquia reduzida mediante pagamento de prêmio maior. Para sistemas em regiões com histórico documentado de granizo, pode valer a pena.

    Como acionar o seguro após dano por granizo: passo a passo

    1. Documente tudo imediatamente: fotos e vídeos dos módulos danificados, do telhado, do ambiente ao redor. Registre data e hora.
    2. Verifique se há boletim de ocorrência de chuva ou granizo da Defesa Civil ou Inmet para a data. Esse documento acelera muito a análise do sinistro.
    3. Acione a seguradora pelo canal oficial dentro do prazo da apólice. A maioria exige comunicação em até 72 horas após o evento.
    4. Não remova os painéis danificados antes da vistoria do perito. A seguradora precisa inspecionar os danos in loco.
    5. Solicite ao instalador original um laudo técnico descrevendo os danos e a causa provável. Esse documento complementa a vistoria.
    6. Guarde notas fiscais dos módulos, inversores e instalação original. São necessárias para calcular o valor de reposição.
    7. Após a vistoria, a seguradora tem prazo de 30 dias para resposta (regra SUSEP). Se ultrapassar esse prazo sem resposta fundamentada, você pode registrar reclamação na SUSEP.

    O que o seguro não cobre: exclusões comuns

    Mesmo com cobertura ampla, há situações em que o sinistro de granizo pode ser negado ou pago parcialmente.

    • Instalação fora das normas ABNT (NBR 16690): se o perito identificar que a fixação dos módulos estava incorreta e isso agravou o dano, a seguradora pode reduzir ou negar a indenização.
    • Danos preexistentes: módulos com microfissuras anteriores ao evento não são cobertos.
    • Manutenção negligenciada: sujeira acumulada que agravou o impacto do granizo pode ser argumento de negativa, embora difícil de provar.
    • Período de carência: algumas apólices têm carência de 7 a 30 dias para eventos climáticos. Contratar seguro durante uma temporada de tempestades e acionar logo em seguida é motivo frequente de negativa.
    • Sistemas sem nota fiscal de instalação: sem comprovação do valor original do sistema, a indenização fica sujeita ao critério da seguradora.

    Quando não vale a pena contratar seguro específico para solar

    Há casos em que um seguro dedicado para painel solar não é a melhor alocação de recursos.

    • Sistemas muito pequenos, abaixo de 3 kWp, com valor total inferior a R$ 15.000: o custo do seguro pode representar mais de 2% ao ano do valor do sistema, o que não compensa.
    • Regiões com histórico baixo de granizo e sem risco relevante de vento ou chuva intensa: zonas costeiras do Nordeste, por exemplo.
    • Sistemas cobertos por apólice empresarial já existente que inclua o equipamento: vale revisar antes de contratar uma apólice duplicada.
    • Proprietários com reserva financeira suficiente para arcar com reposição parcial: para sistemas de médio porte em regiões de baixo risco, a autossegurança pode ser mais eficiente.

    Valor médio do seguro de painel solar em 2026

    O prêmio anual varia conforme o valor do sistema, a região e a cobertura escolhida. As faixas abaixo são referência para sistemas residenciais e pequenos comerciais.

    • Sistema de R$ 20.000 a R$ 40.000, cobertura básica: R$ 300 a R$ 600 por ano
    • Sistema de R$ 20.000 a R$ 40.000, cobertura ampla com granizo: R$ 600 a R$ 1.200 por ano
    • Sistema de R$ 40.000 a R$ 100.000, cobertura ampla: R$ 1.000 a R$ 2.800 por ano
    • Sistemas rurais acima de R$ 100.000: cotação individual, geralmente 0,8% a 1,5% do valor segurado ao ano

    A decisão depende do seu risco geográfico

    Quem tem sistema fotovoltaico no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul ou Goiás está em área de risco real de granizo. O evento de Pelotas em 2024 não foi exceção — foi mais uma ocorrência de um padrão climático que se repete. Para esses proprietários, cobertura básica é insuficiente. Para o restante do Brasil, a decisão exige análise do histórico climático da cidade específica antes de escolher a modalidade.

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